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Dinamite, mito como jogador, vê sua autodestruição como presidente

Ídolo vive fracasso como presidente
Para um vascaíno existem coisas que são dolorosas de se constatar, pois, acima de política, de amizades ou antipatias pessoais está o nosso amor pelo Vasco. Nas arquibancadas da vida, quando o Vasco faz um gol ou ganha um título, desconhecidos viram amigos de infância, desafetos se abraçam, empresários e trabalhadores têm, como em um momento mágico, um instante onde a diferença social não existe, todos unidos pela paixão cruzmaltina.

Quem me conhece sabe que, desde muito jovem, o amor pelo Vasco sempre foi um aspecto dominante em minha vida. E, como todo vascaíno com mais de 40 anos, tive o Dinamite como ídolo.

Com muito orgulho participei do grupo que elegeu Roberto Dinamite presidente, resgatando o Vasco das mãos de uma ditadura que sonhava em se perpetuar no poder, enquanto conduzia o Clube para o abismo, do qual tentamos até hoje nos afastar. Dinamite assumiu com amplo apoio dos sócios e das arquibancadas.

Todos sabiam que Roberto Dinamite não tinha um perfil de gestor, mas confiávamos em que ele se apoiaria no trabalho coletivo de gente competente e usaria seu carisma a serviço de um trabalho de marketing pró-Vasco. E em que pese o descenso para a série B, tragédia em boa parte de responsabilidade da administração anterior que deixou o clube em frangalhos, o saldo da primeira administração Dinamite pode ser considerado positivo.

A verba de patrocínio arrecadada pelo Vasco, que não passava de 330 mil por ano, chegou à casa dos 20 milhões. Conquistamos a Copa do Brasil e fizemos um grande campeonato brasileiro em 2011, quando só não fomos campeões por uma escandalosa armação que um dia será ainda desmascarada.

Mas quem acompanhava o que se passava nos bastidores tinha motivos de preocupação. Dinamite decidiu não fazer uma auditoria séria nas contas vascaínas, deixando impunes irregularidades de que todos tinham conhecimento. Ao mesmo tempo ele foi, aos poucos, centralizando a gestão em sua pessoa.

Eleito para um novo mandato como presidente tínhamos a esperança de que a segunda gestão corrigisse os erros e desvios. Contudo, mesmo sem vocação e paciência para administrar, no segundo mandato o presidente acentuou a centralização. Resultado: Dinamite não fazia, não deixava fazer e desautorizava quem fazia.

Enquanto era firme internamente, movido pela paranoia constante de que sua “autoridade” fosse contestada e seus interesses atingidos, externamente o presidente fugia de confrontos e tendia à passividade, atitude completamente deslocada em um ambiente tão competitivo e traiçoeiro como é o futebol carioca e brasileiro. É possível ser firme sem ser arrogante e enérgico sem ser truculento. Mas Dinamite, em nome de sua “imagem” e contra os interesses do próprio clube, preferiu a leniência e a pusilanimidade. Resultado, hoje contra o Vasco tudo pode acontecer pois não se respeita quem não se dá ao respeito.

Aos poucos, Dinamite foi perdendo, um a um, todos os colaboradores mais fiéis e capazes e a crise foi assumindo proporções inéditas. Depois do estrondoso fracasso de sua política de ultra centralização, Dinamite, isolado, cansado, acuado e sem ânimo, resolveu terceirizar a presidência e a gestão do Clube, entregando-a a funcionários de salários robustos e currículos minguados.

É público e notório que atualmente o presidente deixou até de convocar reuniões da diretoria administrativa. Isto é muito grave pela seguinte razão: O que é o Vasco é um Clube cujos donos são os sócios e, numa visão mais ampla, da qual compartilho, os donos são também os torcedores, que formam em conjunto nosso maior patrimônio: a torcida vascaína.

Democraticamente, de três em três anos os sócios se reúnem e elegem os Conselheiros e, através destes os dirigentes, que durante um triênio representam toda a torcida à frente dos destinos do Clube. São vascaínos dirigindo o Vasco. Hoje, pela primeira vez em nossa centenária história, o Vasco é dirigido por não Vascaínos.

É claro que isso não pode dar certo. Se a simples “profissionalização” fosse uma panaceia nenhuma empresa grande do mundo iria à falência. Não vou me prolongar mais sobre isso, pois já escrevi em 2012 um artigo intitulado “O Mito do Clube Empresa”, onde exponho minha visão sobre o tema. Quem se interessar é só clicar no link.

É lógico que a profissionalização é uma necessidade e deve ser cada vez mais implantada em todos os setores do clube, mas SUBORDINADA aos objetivos e ao caráter da instituição. Os dirigentes têm a OBRIGAÇÃO de orientar, cobrar e conduzir os executivos que trabalham para o Clube, pois estes executivos, por melhores que sejam, têm como primeiro e mais importante compromisso o contracheque que recebem ao final do mês enquanto que os dirigentes que representam os sócios são os verdadeiros guardiões da grandeza do Clube, pois os profissionais vêm e vão e o Vasco fica.

Quando o dirigente abre mão de exercer sua função, ainda mais quando este dirigente é simplesmente o presidente do Clube, acontece o fenômeno da ingovernabilidade, onde o caos substitui qualquer resquício de planejamento e estratégia e infelizmente, este é o caso da gestão Dinamite, em completa bancarrota financeira, política e administrativa.

Hoje assistimos, com pesar, o fim de um mito, que se autodestruiu e que, de ídolo, passa a contar com a antipatia quase que generalizada da torcida. Isso não acontece à toa. Roberto não foi traído por ninguém, mas traiu a todos que nele confiaram. O seu imenso carisma, mostrou-se o disfarce de uma imensa vaidade.

Que ele um dia, fora da presidência do Vasco, possa reconquistar o carinho que angariou como atleta é o que desejamos de coração. Mas agora, o que importa para nós é o Vasco. É com o Vasco que devemos nos preocupar e é em torno dele que devemos nos unir.

Já escrevi uma vez que são os torcedores que devem tomar em suas mãos o futuro do nosso Clube. Faço aqui um chamamento a todos os vascaínos que ainda não são sócios: associem-se! Influenciem a vida do Clube que vocês amam. Em 2014 teremos eleições e serão os sócios que irão escolher o melhor projeto para o Vasco.

Não tenho dúvida que da participação ampla dos sócios e da torcida surgirá o melhor projeto para o Vasco, projeto que irá romper com a tradição dos “conchavos e acordos por cima” e terá como única e exclusiva meta a grandeza cada vez maior do Clube.

Quando isso acontecer, ventos novos levarão para longe do Vasco os oportunistas e incompetentes, deixando apenas nossa tradição de luta e conquistas. Sejamos confiantes, pois quem tem a sorte de ter nascido Vasco jamais pode duvidar do futuro e da vitória.

Por: Roberto Monteiro 
(advogado e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Vasco da Gama)

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