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Valdiram se recupera no Vasco e quer uma chance em 2016

Valdiram hoje mora em uma Igreja Evangélica 
No que depender do apoio popular, o atacante Valdiram merece a oportunidade. Em enquete aberta pelo site do LANCE! no começo da tarde desta quinta-feira, foi perguntado ao torcedor vascaíno: "você gostaria de ter Valdiram no elenco na próxima temporada?". O sim levou a melhor com 56,7% dos votos, contra 43,3% do não.

O atacante, que fará 33 anos no dia 30 de outubro, está sem clube desde janeiro de 2014, quando foi dispensado do Comercial-AL (o clube, na época, alegou que Valdiram faltou treino, jogo, e posteriormente foi encontrado em condições, que davam a entender que havia usado álcool e drogas.

Porém, o jogador nega que tenha consumido álcool ou drogas e diz que está livre dos vícios desde 2011. Desde abril, Valdiram se recupera de cirurgia no joelho direito nas instalações das divisões de base do Vasco, que abriu as portas ao jogador para ele se tratar. Valdiram afirmou que estará em perfeitas condições para entrar em campo em janeiro de 2016.

- Quero estar em campo com a camisa do Vasco no Estadual. Tenho uma bonita história no clube e meu desejo é continuar a escrevê-la. Ninguém me procurou ainda para falar de contrato para 2016, mas estou trabalhando muito para que vejam o Novo Valdiram. Atualmente, já consigo correr dez quilômetros e sem sentir dor no joelho. Estarei pronto para jogar já em janeiro. Eu voltarei a jogar para dar alegrias à torcida vascaína - disse o atacante.

Depois de alcançar o sucesso no Vasco, em 2006, os vícios derrubaram o jogador: "Passei pelo vale da sombra da morte. A morte me procurou 24 horas por dia, ela andou do meu lado, tentou me levar de toda forma. Eu a vi na minha frente", disse o atacante logo ao receber a reportagem do LANCE! para entrevista na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em São João de Meriti (RJ), onde mora, desde janeiro de 2011.

Aos 32 anos, o atacante que driblou a morte agora quer voltar a passar pelos rivais nos gramados. Mesmo após tantas dificuldades, ele está novamente de pé. O Vasco abriu as portas das instalações das divisões de base para o atleta se recuperar de uma cirurgia no joelho direito. Agora, ele sonha com uma chance com o grupo principal, no Estadual de 2016, para terminar de escrever sua história pelo clube. 

Veja a entrevista que Valdiram concedeu ao diário Lance!


Hoje, ao olhar para trás, de quais erros cometidos você mais se arrepende?
Lamento muito por ter cometido adultério e fornicação, foram os piores entre todos os erros. A Bíblia diz que um abismo chama o outro. Eu tinha uma companheira, mas saía com muitas outras mulheres. E depois vinha a cerveja e as drogas. As mulheres do mundo estavam gerando uma grande maldição em mim.

Na época de brilho pelo Vasco, muitas mulheres vinham até você?
Muitas mulheres queriam ficar comigo. Entre dez a quinze chegavam em mim por dia, tentando conversa. Eu era artilheiro, tinha dinheiro e todas queriam se aproveitar de mim.

Quem lhe levou às drogas?
O mundo. O mundo do pagode, do funk, aqueles que eu achava que eram meus amigos. Você acaba saindo com supostos amigos, aceita o que eles oferecem e aí não tem mais volta, vai para o buraco. Nos tempos do Vasco, eu não usava drogas, ficava só na bebida. Mas uma coisa levou à outra, e em 2009, passei a usar drogas.

Você conhece outros jogadores que usam drogas?
Muitos jogadores que conheci praticam o uso de cocaína. Na forma como se encontra hoje, o mundo está perdido. As pessoas precisam conhecer a palavra de Deus.

Você ainda tem algum dinheiro guardado ou perdeu tudo em gastos com mulheres e drogas?
Cheguei a ganhar mais de R$ 100 mil por mês quando jogava no Al-Shamal, do Qatar, em 2007. Sempre ganhei um bom dinheiro, com salários de R$ 20 mil a R$ 30 mil na maioria dos clubes por onde passei. Já tive R$ 5 milhões na conta. Porém, eu não tinha sabedoria e gastei tudo. Você pode ter R$ 60 milhões, R$ 70 milhões. Se não aplicar em algo que dê frutos e gastar no mundo do funk e da prostituição, o dinheiro todo se vai.

Qual foi o máximo de dinheiro que você gastou em uma noite?
Já gastei R$ 5 mil em uma noite, no Rio de Janeiro. Gastei com boate, mulheres e drogas. Hoje, eu investiria meu dinheiro em bens materiais e no fortalecimento da obra de Deus.

Quando e como você chegou ao fundo do poço?
Fui ao fundo do poço em 2010. Perdi minhas forças e usei drogas na Cracolândia do Jacarezinho (na Zona Norte do Rio de Janeiro). Eu sentava na linha do trem e usava crack e cocaína por ali, ao lado de outros viciados. Eu olhava para o lado, com aquilo cercado de gente usando droga, e lembrava dos grandes tempos como jogador. Hoje, meditando com Deus, agradeço por poder ter saído daquele mundo. Às vezes, me faltam palavras para agradecer a Deus. Poucos têm a oportunidade de sair deste drama.

Como você conseguia sustentar seus vícios em drogas e bebidas?
Por ter jogado no Vasco, eu tinha tudo nas comunidades onde fiquei. Dormia nas casas dos meus supostos amigos, tinha cocaína, mulheres e whisky, tudo de graça. Fiquei em uma comunidade muito conhecida durante um ano e muitos torcedores do Vasco e de outros times me falavam: "Você precisa largar essa vida, você é um bom jogador". Mas aquilo entrava por um ouvido e saía pelo outro.

Quando chegou ao seu limite?
Foi no fim de 2010, uma semana antes de eu me converter. Eu estava alucinado em um motel antigo no bairro de São Cristóvão (no Rio de Janeiro), vinha usando drogas ali há 15 dias. Às três horas da manhã, vi o espírito da morte por baixo da porta, esperando a overdose para levar minha alma. Abri a porta desesperado, desconfiado de que fosse uma pessoa, mas não encontrei ninguém. Desesperado, cheirei cocaína e foi aí que vi o espírito da morte na minha frente. Senti medo, fiquei oprimido e clamei a Deus. Foi uma iluminação e ganhei forças para jogar fora as drogas e whisky, pela descarga. Senti uma paz muito grande dentro de mim com essa atitude. Durante os 15 dias, eu só saía daquele quarto para ir na comunidade buscar mais drogas, e voltava para cheirar e beber.

Como você chegou até a igreja?
Eu já não aguentava mais nada, estava fraco para beber, cheirar e ter relações sexuais. Deus me deixou ir até o limite. Liguei para meu empresário, confessei que estava usando drogas e disse: "Quero ir para uma igreja que me deixe em jejum e tenha muita oração". Ele me trouxe até aqui, na igreja, e senti uma emoção muito grande no culto. Entrei aqui em 23 de janeiro de 2011, aceitei a Deus e deixei meus vícios para trás.

fonte: Lancenet


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